Por Sonayô
O cenário do funk paulista, historicamente dominado por estéticas hipermasculinas, está testemunhando uma revolução de cores, graves e identidade. No centro desse movimento está Zumbicore, o artista que reivindicou para si o título de “Príncipe do Mandelão”. Misturando a batida seca e agressiva dos fluxos com uma estética que transita entre o futurismo dos anos 2000 e a montagem queer, ele não está apenas fazendo música; está demarcando território.

Do Underground ao Topo das Paradas
A trajetória de Zumbicore é marcada por uma transição audaciosa. Antes de dominar os palcos, o artista trilhou caminhos na gastronomia, mas foi na produção audiovisual e na música que encontrou sua verdadeira voz. Desde seus primeiros lançamentos em 2021, ele mostrou que o funk poderia ser um espaço de experimentação.
Influenciado tanto pelo Rock quanto pelo Cybercore, Zumbicore trouxe para o Mandelão uma sonoridade que foge do óbvio. Suas letras falam de desejo, liberdade e da realidade das ruas, mas sob uma ótica bissexual e disruptiva que o conectou instantaneamente com uma nova geração de ouvintes.
A Revolução da Representatividade
A importância de Zumbicore no cenário atual vai muito além dos números no streaming. O funk, como expressão cultural da periferia, sempre foi um espaço de resistência, mas nem sempre foi inclusivo para corpos dissidentes.
Ao ocupar trios elétricos na Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo e liderar o movimento bissexual dentro do gênero, Zumbicore quebra barreiras invisíveis. Ele prova que o “grave” do Mandelão pertence a todos. Sua presença:
- Normaliza a diversidade em espaços de lazer periféricos.
- Inspira novos artistas que antes não se viam representados na estética “mandrake”.
- Cria uma rede de colaboração com outros nomes do funk queer, fortalecendo um nicho que hoje já é mainstream.

O Novo Hit: “Picolé”
Em seu lançamento mais recente, o single “Picolé”, Zumbicore reafirma por que detém a coroa. A faixa é uma explosão de energia feita sob medida para os paredões de som. Com um ritmo frenético e uma letra chiclete, a música mantém a essência da “putaria” clássica, mas com o toque de sofisticação visual e sonora que se tornou sua marca registrada.
O videoclipe de “Picolé” é um espetáculo à parte, utilizando elementos de edição ágeis e uma paleta de cores saturadas que evocam a nostalgia digital, consolidando-o como um dos diretores criativos mais interessantes da sua própria carreira.
Zumbicore não é apenas um fenômeno passageiro; ele é o rosto de um funk que se renova sem perder a raiz, provando que, no reino do Mandelão, o príncipe usa o que quiser, desde que o grave não pare.
