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FORÇA E RESISTÊNCIA

Por Sonayô

As Propostas de Isabelly Carvalho para Descentralizar o Orçamento e Fortalecer o Interior de SP”

ENTREVISTA | “São Paulo não é só a Capital”: Isabelly Carvalho fala sobre representatividade do interior, cultura e articulação política na ALESP

Vereadora no interior paulista e pré-candidata a deputada estadual, Isabelly Carvalho aborda em entrevista exclusiva os principais gargalos burocráticos no repasse de recursos do Estado para os municípios. Em um diálogo focado em soluções práticas, a parlamentar detalha suas propostas para a saúde pública, desburocratização de editais culturais e a importância do diálogo pragmático entre diferentes forças políticas no legislativo paulista. Confira a entrevista completa a seguir.

GESTÃO, BUROCRACIA E INTERIOR DO ESTADO

Pergunta: Geralmente, o debate na ALESP fica muito centrado na Capital e na Região Metropolitana. Na prática, qual é o maior gargalo burocrático para fazer o orçamento estadual chegar com força ao interior paulista?

Isabelly Carvalho: Entendo que o principal gargalo é a distância entre quem formula a política pública e quem precisa executá-la na ponta. Muitas vezes o recurso existe, mas o município enfrenta uma série de exigências técnicas, convênios, projetos, documentações e prestações de contas que tornam o acesso muito mais difícil, principalmente para as cidades menores.

O Estado precisa fazer mais do que simplesmente abrir um programa e esperar que os municípios consigam acessá-lo. É necessário oferecer assistência técnica, simplificar processos e planejar políticas públicas a partir das diferentes realidades regionais. São Paulo não é só a Capital. O interior produz riqueza, possui demandas enormes e precisa participar ativamente da definição de onde e como o orçamento será investido.

Pergunta: A Assembleia Legislativa é um ambiente de composição de forças bastante heterogêneo. Como você pretende articular a aprovação de projetos com deputados de espectros ideológicos opostos aos seus?

Isabelly Carvalho: Dialogando. Não acredito que diálogo signifique abrir mão daquilo em que se acredita. Significa conseguir sentar-se com quem pensa diferente e perguntar: onde existe uma convergência possível para melhorar a vida das pessoas?

Já vivencio essa experiência na Câmara Municipal de Limeira. Hoje, por exemplo, presido a Comissão de Direitos Humanos e o vice-presidente é um vereador do PL. Pensamos de forma diferente em uma série de questões, mas existe um espaço institucional no qual precisamos trabalhar, ouvir e construir encaminhamentos.

Na Assembleia, a atuação será da mesma forma: princípios não estão à venda, mas política pública exige capacidade de diálogo. Se existe uma proposta que melhora o SUS, protege uma mulher vítima de violência, valoriza o servidor ou leva investimento para uma cidade do interior, conversarei com quem for necessário para fazê-la avançar.

Pergunta: Se você pudesse garantir a aprovação de apenas uma emenda parlamentar de grande porte no seu primeiro ano de mandato, para qual área ou projeto específico ela iria?

Isabelly Carvalho: Para a saúde pública, sem dúvida. Priorizaria uma ação regional para ampliar o acesso a exames, especialidades e atendimento em saúde mental no interior.

Uma das maiores angústias de quem depende do SUS não é apenas conseguir chegar à unidade de saúde, mas sim receber um encaminhamento e depois aguardar meses por um exame ou por uma consulta com especialista. Uma emenda de grande porte deve ter impacto regional, atender a várias cidades e ajudar a encurtar a distância entre o diagnóstico e o tratamento.

CULTURA, DIREITOS E POLÍTICAS PÚBLICAS

Pergunta: Muitos coletivos independentes e artistas periféricos enfrentam dificuldades técnicas para acessar editais estaduais como o ProAC. O que precisa mudar na estrutura desses editais para que eles deixem de ser burocráticos?

Isabelly Carvalho: A linguagem precisa ser mais simples. Um edital de cultura não pode parecer uma prova de direito administrativo.

É necessário reduzir formulários, eliminar exigências de documentos repetidos e adaptar a prestação de contas ao porte de cada projeto. Também é fundamental oferecer assistência técnica gratuita no interior e nas periferias.

Não basta publicar o edital na internet. Quem conta com uma equipe especializada larga na frente de quem tem uma boa ideia, mas nunca elaborou um projeto formal.

O ProAC já permite a participação de pessoas físicas e de coletivos sem constituição jurídica, o que representa um avanço. Agora, o processo precisa se tornar genuinamente acessível a quem não domina a burocracia estatal.

Cultura é produção, trabalho, renda e identidade. O dinheiro público precisa chegar ao artista que movimenta a cultura no bairro, e não apenas a quem já domina a burocracia do Estado.

Pergunta: Direitos humanos e diversidade frequentemente enfrentam resistência em debates orçamentários. Qual é a estratégia para apresentar essas pautas sob a ótica do desenvolvimento econômico e social para o estado?

Isabelly Carvalho: Direitos humanos não são uma pauta abstrata. Eles estão presentes na vida cotidiana.

Quando uma mulher consegue permanecer no mercado de trabalho porque conta com uma rede de proteção, quando uma pessoa com deficiência tem acessibilidade na cidade, quando um jovem LGBT permanece na escola ou quando uma política de igualdade racial amplia oportunidades, estamos tratando de desenvolvimento.

Defenderei essas políticas com orçamento, metas e resultados. A inclusão não é um complemento do desenvolvimento: ela é parte estrutural dele. Um Estado só se desenvolve de fato quando o progresso alcança aqueles que sempre ficaram por último.

PESSOALIDADE E BASTIDORES | JOGO RÁPIDO

Pergunta: Qual é o maior mito sobre o trabalho de um deputado estadual em que a população ainda acredita?

Isabelly Carvalho: O maior mito é o de que o deputado estadual serve apenas para enviar emendas.

As emendas são importantes, mas o papel do parlamentar é também fiscalizar o Governo do Estado. Isso inclui acompanhar a execução orçamentária, verificar a aplicação do dinheiro público, cobrar secretários, investigar irregularidades e fiscalizar contratos e políticas públicas. Essas são atribuições institucionais da Assembleia.

Uma fiscalização eficiente pode economizar mais recursos públicos e beneficiar um número muito maior de pessoas do que uma emenda isolada.

Pergunta: Cite um projeto ou lei já aprovado na ALESP nos últimos anos, de qualquer partido, que você considera um exemplo de boa política.

Isabelly Carvalho: Citaria a Lei Estadual nº 17.803, de 2023, que garante às mulheres o direito de ter acompanhante durante consultas, exames e demais procedimentos clínicos.

Trata-se de uma medida simples, concreta e fundamental para a segurança das mulheres. Além disso, demonstra que partidos de campos opostos podem construir boas políticas juntos, já que o projeto teve a autoria conjunta de parlamentares do PSDB, PT, Cidadania e PL. Diferenças ideológicas não podem impedir consensos quando o objetivo é proteger direitos.

Pergunta: Quando uma pauta divide a opinião da sua base eleitoral e a sua convicção técnica ou pessoal, qual critério pesa mais na hora do voto?

Isabelly Carvalho: Eu escuto antes de decidir. O político que acredita saber tudo apenas por ter sido eleito deixa de representar legitimamente a população.

Ouço minha base, as pessoas diretamente afetadas, os movimentos sociais, os especialistas e os pareceres técnicos. Depois, voto com responsabilidade.

Meu critério é objetivo: a proposta amplia direitos, aprimora uma política pública e atende ao interesse coletivo? Avalio também o impacto sobre aqueles que mais dependem do Estado.

Mandato popular não consiste em seguir a opinião mais barulhenta. É ouvir, prestar contas e fundamentar cada decisão, inclusive as mais difíceis.

Acompanhe e Conecte-se com Isabelly Carvalho

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