Contato

(19) 99646-5260

E-mail

contato@movimentolgbt.com.br

FORÇA E RESISTÊNCIA

Entrevista Rezzon
Por Sonayô

Nome: Rezzon
Idade: 31 Anos
Signo: Virgem
Cidade de nascimento:
João Pessoa-PB

A Música como Liberdade e Manifesto

Você descreve seu som como “energia e liberdade em um som sem rótulos”. Poderia aprofundar um pouco mais sobre as influências e gêneros que moldam essa sua sonoridade única?

Quando falo que meu som é “energia e liberdade em um som sem rótulos”, é porque ele nasce da mistura de tudo o que vivi e ouvi — da Paraíba à Europa. Cresci com referências diversas, do rap nacional ao pop internacional, passando pelo trap, rap acústico, R&B e o rock. Isso tudo cria uma base fluida, que não se limita a um só gênero, mas se molda à minha verdade em cada momento.
Minhas influências vão de Filipe Ret a Madonna, de Linkin Park a Michael Jackson. É uma sonoridade que reflete o que sinto e quem sou: um artista LGBT que usa a música como espaço de liberdade e representatividade. O que guia meu som é a emoção, e não uma fórmula. Por isso, cada faixa carrega um pedaço de mim — sem rótulos, mas com muita identidade.

Em suas músicas, percebe-se uma mistura de ritmos e estilos. Como é o seu processo de composição e produção para integrar esses elementos de forma coesa?

Meu processo de composição é muito intuitivo e emocional. Geralmente, tudo começa com uma ideia ou sentimento forte — algo que vivi, sonhei ou observei. Daí, vou pro papel ou pro gravador do celular e deixo fluir. Não penso em gênero musical nessa hora, penso em verdade. Às vezes começo pelo refrão, outras vezes por uma frase que já chega com melodia. É como se a música se revelasse pra mim, sabe?
Na produção, gosto de estar bem próximo, trocando com os beatmakers e produtores, porque cada elemento precisa ter propósito. Trabalho com gente que entende meu universo e sabe costurar o trap com o pop, o acústico com o eletrônico, sem perder minha identidade. A gente testa muito até encontrar o equilíbrio entre o que emociona e o que pulsa. É como montar um quebra-cabeça onde o resultado final é sempre maior do que a soma das partes.

Você já morou em Portugal e na Holanda. De que forma essas experiências internacionais influenciaram sua música e sua perspectiva como artista?

Viver em Portugal e na Holanda foi uma virada de chave pra mim, tanto como pessoa quanto como artista. Estar fora do Brasil me colocou em contato com outras culturas, outros sons, outras formas de ver o mundo — e isso expandiu minha mente. Em Portugal, tive contato direto com a cena rap/trap local e pude perceber o quanto a música pode unir realidades tão diferentes. Já na Holanda, me conectei mais com a arte como expressão livre, sem tanto julgamento, e isso me deu ainda mais coragem de ser quem sou.
Essas experiências me ensinaram a valorizar minha raiz, mas também a abraçar o novo sem medo. Trouxe tudo isso pra minha música — esse mix de influências, de idiomas, de vivências. É por isso que consigo transitar entre o íntimo e o internacional, falando com públicos diversos sem perder minha essência. A arte virou minha ponte entre mundos.

O que te inspira a escrever, e como é seu processo de criação e composição?

O que mais me inspira a escrever é a vida real — minhas dores, meus amores, as batalhas internas e tudo o que observo ao meu redor. Muitas vezes, uma conversa, uma lembrança ou até uma crise de ansiedade viram música. Eu transformo o que me atravessa em arte, como uma forma de cura e conexão. Escrever é meu jeito de organizar o caos e, ao mesmo tempo, tocar o coração de quem vive algo parecido.
Meu processo de criação é bem orgânico. Às vezes começa com uma melodia que surge do nada, outras vezes é uma letra que vem inteira na cabeça. Gosto de me isolar um pouco, colocar um beat e deixar fluir sem me podar. Depois, levo isso pro estúdio, onde lapido junto com produtores que entendem minha vibe. Não sigo regras — sigo a emoção.

Como você vê a evolução da sua música desde seus primeiros lançamentos até os trabalhos mais recentes? Há alguma mudança significativa que você percebe?

Vejo uma evolução enorme, tanto na minha técnica quanto na minha verdade artística. Nos primeiros lançamentos, eu ainda estava me entendendo como artista, testando estilos, entendendo meu lugar na música. Hoje, sinto que encontrei minha voz de verdade — uma sonoridade mais madura, mais segura, que traduz quem eu sou sem medo de me expor. As mensagens estão mais diretas, os arranjos mais bem pensados, mas sem perder a alma que sempre esteve ali.

A maior mudança, pra mim, foi a coragem. Antes, eu tinha receio de me mostrar por completo — hoje, coloco minha história, minhas vulnerabilidades e minha identidade LGBT no centro da narrativa. O EP SUBLIME, por exemplo, é um reflexo disso: mais autêntico e mais emocional. É como se eu tivesse parado de pedir permissão e começado a ocupar meu espaço de verdade.

Qual é a mensagem principal que você espera que os ouvintes absorvam ao escutar suas músicas?

A principal mensagem que quero passar com minhas músicas é: você pode ser quem você é, com todas as suas dores, sonhos e contradições — e isso é lindo. Eu quero que cada pessoa que me ouve se sinta acolhida, representada e inspirada a viver sua verdade, mesmo que o mundo diga o contrário. Minha arte é um convite à liberdade, à coragem de se expressar sem medo.
Também falo muito sobre superação e autoconhecimento. Trago nas letras minhas vivências com ansiedade, pânico, TDAH… mas também trago luz, amor e resiliência. Quero que minha música abrace quem precisa, provoque quem tá pronto e inspire quem sonha. Se eu conseguir tocar alguém de verdade, já valeu tudo.

Você tem alguma música ou álbum em sua discografia que considera um ponto de virada ou especialmente significativo em sua carreira? Por quê?

Com certeza, o EP SUBLIME foi um grande ponto de virada na minha trajetória. Ele marcou o momento em que parei de me moldar ao que esperavam de mim e comecei a fazer música do meu jeito, com minha verdade nua e crua.
Além disso, SUBLIME me abriu portas importantes — entrou em playlists editoriais do Spotify, bateu mais de 200 mil streams e me colocou em destaque na mídia, tanto no Brasil quanto em Portugal. Sem contar a parceria com uma cantora dinamarquesa e um produtor que já trabalhou com grandes nomes como Anitta. Esse EP não só consolidou minha identidade como artista, mas mostrou que é possível fazer música com alma e ainda assim alcançar muita gente.

Como é a sua relação com outros artistas e produtores musicais? Há alguma colaboração dos sonhos que você gostaria de realizar?

Minha relação com outros artistas e produtores sempre foi baseada em troca genuína, respeito mútuo e, acima de tudo, admiração pela arte que cada um carrega. Cada parceria me ensinou algo novo e expandiu meus horizontes criativos.
Se eu pudesse escolher uma colaboração dos sonhos, seria com alguém que tenha essa mesma entrega visceral à música — como Madonna, Filipe Ret, Eminem, Linkin Park, Travis Scott, Benson Boone, Anitta, 3030, Gaga e por aí vai.