Entrevista com Melty A.G
Por Sonayô
Nome: Melty A.G
Idade: 26 anos
Signo: Libra
Cidade de nascimento: Limeira-SP
Você tem descendência indígena? Pode falar um pouco sobre isso para a gente?
Possuo ascendência indígena materna e paterna, porém não sou uma pessoa aldeada. Vivo em um contexto urbano e diaspórico, sendo fruto de duas famílias migrantes de Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e outras localidades/biomas.
Me corrija: é indígena ou povos originários?
Os dois termos estão corretos, depende apenas de como você deseja se expressar no momento!
Além da música, você também é empresária e tem sua própria marca, a KbulosA. Fale um pouco sobre ela.
A ideia de criar a Kbulosa Drip surgiu durante a pandemia. Sempre frequentei bazares e brechós e garimpei muito para mim, minha família e amigos. Criei a marca inicialmente como um brechó, com curadoria minha e do meu irmão, Benjamin, que se tornou meu sócio. Nosso objetivo é evidenciar que roupas não têm gênero e que, na nossa expressão através do vestir, vale tudo. Em breve, teremos novidades na marca, com novas formas de trabalhar nossa identidade visual!
Na área musical, você tem canções originais e algumas parcerias. Você mesma compõe e participa do processo de produção? Como funciona esse processo?
Componho todas as minhas letras. Também produzo, mas ainda de forma mais iniciante. Pretendo me aprofundar mais nessa parte para estar ainda mais presente no meu trabalho como um todo. Atualmente, as faixas lançadas são produzidas pelo Maunatrack. Quase sempre desenvolvemos as músicas a partir de referências que trago, somadas à originalidade do Mau como produtor.
Seu último lançamento foi uma parceria com grandes artistas da região, fala pra gente do processo de produção. Quais os próximos planos?
Todo o processo de produção desse último lançamento girou em volta do projeto Scratch Magazine, uma Revista Online sobre Cultura Hip Hop, que está na sua Segunda Edição e contou com uma representante pra cada um dos quatro pilares do Hip Hop. Com muita honra representei os rappers, e a Delord, os poetas. Nos juntamos nesse Feat, mas também nas fotos e fashion film do projeto. Vale a pena conferir! Meus próximos planos são estudar muito produção musical e me tornar também um produtor e beatmaker, quero imprimir minhas ideias da forma como elas vem na cabeça, e claro, seria incrível ser um espaço seguro pra outres artistas LGBTs produzirem seus sons, num ambiente sem homofobia e sem falsos aliados.
Sua descendência tem alguma influência no seu som?
Nossa ancestralidade e história influenciam tudo em nossas vidas, especialmente quando temos a possibilidade de saber minimamente quem somos. Com certeza, minhas composições carregam essas vivências e visões que experimentei e continuo experienciando.
Que dica você daria para nossos leitores que também sonham em seguir a carreira musical?
Faça a música que você quer ouvir, que faz você vibrar. Seu público se formará entre as pessoas que conseguirem se conectar com a sua mensagem.
Um sonho?
Meu sonho é que os meus estejam cada vez mais seguros, com comida no prato, uma boa qualidade de vida e a cultura valorizada. Parece o mínimo, mas infelizmente ainda é uma realidade rara.
Melty por Melty?
Apaixonade por cultura, multiartista e o estereótipo da libriane indecisa em pessoa. Músico, poeta, instrumentista, produtor cultural e musical; porque não conseguiu escolher um só!

