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FORÇA E RESISTÊNCIA

O cinema brasileiro fez história na noite do domingo (2/3), quando o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional de 2025.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas concedeu a estatueta ao longa-metragem, tornando-o o primeiro filme brasileiro a conquistar esse reconhecimento na categoria.

Em seu discurso, Walter Salles dedicou a vitória a Eunice Paiva, mulher que enfrentou perdas irreparáveis durante o regime autoritário da Ditadura Militar no Brasil. “Esse filme vai para uma mulher que, após uma perda enorme por um regime autoritário, decidiu não se render: Eunice Paiva”, declarou o diretor. Ele também homenageou as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que interpretam Eunice em diferentes fases da vida.

O longa retrata a luta e resiliência da família Paiva e de Eunice Paiva, cujo marido desapareceu durante o período da Ditadura Militar, instaurada em 1964 e encerrada em 1985. A obra narra o impacto desse período na vida da protagonista e de tantas outras famílias brasileiras que sofreram com a censura, repressão e violência estatal.

A Ditadura Militar no Brasil foi caracterizada por um regime de exceção, em que mecanismos como os Atos Institucionais foram utilizados para justificar a perseguição de opositores. Prisões arbitrárias, tortura, desaparecimento forçado e censura marcaram a década de regime autoritário. O período chegou ao fim com a eleição de Tancredo Neves em 1985, abrindo caminho para a redemocratização do país.

A conquista de Ainda Estou Aqui no Oscar representa um marco para o cinema brasileiro, e também um momento de reflexão sobre a importância de lembrar o passado e valorizar a democracia.

O reconhecimento internacional da história de Eunice Paiva reforça a necessidade de preservar a memória histórica e combater qualquer forma de autoritarismo.

O Brasil celebra não apenas o triunfo da sétima arte, mas também a força de suas narrativas e a relevância de contar histórias que ecoam pelo mundo. Ainda Estou Aqui reafirma o papel do cinema como ferramenta de resistência, memória e justiça histórica.

Foto: Walter Salles e Fernanda Torres compareceram à cerimônia do Oscar – REUTERS

Por Leila Pizzotti

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