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FORÇA E RESISTÊNCIA

Por Sonayô

Idealizada pelo recrutador Túlio, iniciativa busca romper o ciclo de exclusão e transformar o “medo” das empresas em oportunidade de crescimento humano e sustentável.

SÃO PAULO – No Brasil, a trajetória de pessoas trans e não binárias no mercado de trabalho é, frequentemente, marcada pelo invisível. Não se trata apenas da ausência de vagas, mas de barreiras que começam muito antes da entrevista: na evasão escolar forçada, no rompimento dos laços familiares e nos vieses inconscientes de recrutadores. É para romper esse ciclo que surge o Emprega Todes, um projeto que vai além da recolocação profissional para focar no que seu fundador, Túlio, chama de “resgate da dignidade”.

Do lado de dentro do RH

A semente do projeto nasceu da vivência de Túlio como recrutador. Ao observar o mercado pelo prisma das empresas, ele identificou uma resistência silenciosa, mas persistente. “Percebi um padrão: profissionais competentes chegavam aos processos seletivos fragilizados e inseguros. O medo da discriminação levava à desmotivação”, explica.

Para Túlio, que é um homem trans, a criação do projeto é um compromisso ético. Tendo sido acolhido em sua própria transição, ele decidiu transformar esse privilégio em impacto social. “É uma forma de devolver à comunidade o que recebi, ampliando caminhos para que outros possam crescer e pertencer ao mundo do trabalho”.

O “Beabá” do Letramento

Um dos grandes diferenciais do Emprega Todes é que ele não atua apenas na ponta do candidato, mas na estrutura das organizações. O projeto parte da premissa de que a inclusão não se resume à contratação; ela exige o preparo do ambiente.

“Muitas empresas partem do medo antes de partir do aprendizado. Existe uma postura defensiva, antecipando conflitos sobre banheiros ou pronomes que nem aconteceram”, pontua Túlio.

O trabalho de letramento corporativo oferecido pelo projeto busca desconstruir estereótipos e a chamada “expectativa de passabilidade” — a ideia de que a pessoa trans precisa se adequar a padrões cisgêneros para ser aceita. Para o Emprega Todes, diversidade real é sobre ampliar o entendimento de quem pode ocupar os espaços, sem exigir que o colaborador anule sua identidade.

Dignidade e Autonomia

O lema “promover empregabilidade é promover dignidade” ganha contornos reais nos relatos de impacto do projeto. Túlio destaca que, muitas vezes, a maior transformação não é o cargo em si, mas a autonomia financeira e a capacidade de voltar a circular em espaços que antes pareciam inacessíveis.

“Lembro de um rapaz trans que atendi recentemente. Ele conquistou um emprego que talvez não fosse o ‘dos sonhos’, mas que deu a ele a possibilidade concreta de imaginar um futuro. O mercado deixou de ser uma porta fechada para ser um caminho possível”, celebra.

Futuro e Resiliência

Com o olhar voltado para o interior de São Paulo, o objetivo do Emprega Todes para os próximos anos é fortalecer parcerias estratégicas e influenciar a construção de políticas públicas mais eficazes.

Para quem enfrenta a dureza da busca por uma oportunidade, Túlio deixa um lembrete: o cansaço é válido, mas a trajetória individual tem valor imensurável. “Você não é o problema, o sistema é que está em processo de aprendizado. Sua existência e sua capacidade têm lugar garantido, o mercado é que precisa aprender a reconhecer”.


Os Pilares do Projeto

  • Fortalecimento da Identidade: Mentorias que preparam o profissional para se posicionar estrategicamente.
  • Letramento de Lideranças: Conscientização de gestores para criar segurança psicológica nas equipes.
  • Combate a Vieses: Revisão de práticas de RH para eliminar exclusões silenciosas em triagens de currículos.

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