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Um dos aspectos em que somos duramente atacados (até mesmo em muitos centros espíritas) é na vivência sexual. Volta e meia se afirma que a prática sexual homo não leva a perpetuação da espécie e portanto não há uma razão de ser. O conhecimento a luz do Espiritismo traz respostas elucidativas a esse respeito. Vejamos a afirmação de Chico Xavier na década de 70, na entrevista concedida ao programa Pinga Fogo.

Repórter: Chegou aqui uma pergunta de dona Maria Lúcia Silva Gomes, Avenida Tucuruvi, 736. Pergunta como se explica o “homossexualismo” e a “perturbação” no comportamento sexual à luz da doutrina espírita.

Chico Xavier: Temos tido alguns entendimentos com Espíritos amigos e notadamente com Emmanuel a esse respeito. O “homossexualismo” tanto quanto a bissexualidade ou a assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade.

Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e acreditamos que o comportamento sexual na humanidade sofrerá de futuro revisões muito grandes por que nós vamos catalogar do ponto de vista de ciência, todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão em uma condição de esterilidade.

A criatura humana não é só chamada a fecundidade física, mas também a fecundidade espiritual. Quando geramos filhos através da sexualidade dita normal somos chamados também a fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espírito de que sejamos portadores.

Não nos referimos aqui aos problemas do desequilíbrio nem aos problemas da chamada viciação nas relações humanas. Estamos nos referindo a condições da personalidade humana, reencarnada, muitas vezes portadora de conflitos que digam respeito seja a sua condição de alma em prova ou a sua condição de criatura em tarefa específica, de modo que o assunto merecerá muito estudo e poderemos voltar a ele em qualquer tempo que formos convidados.

Nós temos um problema em matéria de sexo na humanidade que precisamos considerar com bastante segurança e respeito recíproco. Vamos dizer, se as potencias do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactilidade com que executam trabalhos manuais, nos pés; se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento pelo bem, isto é, potências consagradas ao bem e a luz em nome de Deus, seria o sexo, em suas várias manifestações, sentenciado as trevas?

 

Nesta entrevista Chico Xavier deixa claro que o sexo não foi “criado” unicamente para fins reprodutivos mas também para expressão de amor entre parceiros (fecundidade espiritual através da vivência de valores), uma vez que nem todos são “chamados” a contribuir com a humanidade procriando. E como afirma ao final de sua fala: se todos os recursos corpóreos foram dados ao ser humano para o seu crescimento, por que seria o sexo, em todas as suas formas de expressão, condenável?

Neste mesmo sentido o livro Encontro com a paz e a saúde, da autoria de Divaldo Franco e ditado por Joana de Ângelis, em seu capítulo 08:  Reflexões sobre a sexualidade, afirma a prática sexual para além da função reprodutiva.

os atavismos religiosos ultra-montanos encontraram uma forma de manter a castração sexual, determinando que somente deveria ser usado o sexo para a finalidade procriativa, como se a Divindade estabelecesse limites no sentimento do amor, determinando que uma expressão dele é nobre enquanto a outra se apresenta abjeta.

Não têm, pois, razão, aqueles que assim pensam, porque a questão mais profunda não se limita à união dos sexos, mas à mente que se deixa viciar, procurando mecanismos eróticos para conseguir novas e estranhas sensações a que se permite, transformando a finalidade relevante da convivência com um parceiro em instrumento para a permissividade doentia.

 

A Doutrina Espírita vem contribuindo para a quebra de tabu em torno do sexo, tanto hétero normativo como homossexual. Sempre afirmando que há necessidade de educação para o seu uso e não proibição. Sempre deixa claro na literatura a necessidade de valorização do outro na prática sexual; a necessidade de adoção de princípios éticos, ou seja, a não coisificação do parceiro e utilização de uma pergunta básica nas relações: COMO EU GOSTARIA DE SER TRATADO (A)? Da mesma forma que gostaria de ser tratado (a) é o princípio ético com que se deve tratar o parceiro (a).